Em 16 de novembro de 1889, chega a Fortaleza a notícia da Proclamação da República, Jerônimo Rodrigues de Morais Jardim, então Presidente da Província, é deposto e assume o Governo o Tenente-Coronel Luiz Antônio Ferraz, então Comandante da 11a. Brigada de Infantaria, sediada no Ceará. No ano seguinte foram baixados vários Decretos que davam caráter inovador a ordem revolucionária. Nesta época foi deposto o Inspetor Provincial
Do Povoado de Conceição, Dr. Timóteo Epifânio Ferreira Lima, que havia sido nomeado em 16/09/1871.
Em 01/09/1890, através do Decreto n o. 55, o povoado de Conceição é elevado à categoria de Vila, seus limites incluem a área abrangente do seu distrito de polícia e o distrito de Pernambuquinho, logo em seguida no dia 04 de setembro do mesmo ano, através do Decreto n o. 59, o nome do povoado passa a denominar-se Vila de Guaramiranga. O nome GUARAMIRANGA provém do sítio de propriedade do Cel. Batista de Queiroz Lima, sendo adotado este nome talvez por influência de Clarindo de Queiroz, então General de Divisão da Infantaria, amigo de Ferraz e Primo de Batista, além desta, a outra influencia teria sido a renovação da República, que procurou desvincular nomes religiosos da administração do Estado.
Embora Guaramiranga tenha guardado a categoria de Vila e a mesma tenha sido inaugurada no dia 12/10/1890, que na época equivalia a um certo grau de autonomia, podendo inclusive eleger a Câmara e possuir um Intendente (cargo equivalente ao de prefeito hoje, era nomeado pelo Governador e sem remuneração), este cargo nunca foi ocupado, permanecendo vago por muito tempo, só sendo feito por volta do ano de 1898, quando é nomeado José Adriano Lopes, então Chefe da Coletoria local, que passou a acumular também o de Intendente. Quanto à Câmara, embora tenha sido eleita nos padrões da época, nunca ocupou posição de destaque na Vila, inclusive se dava pouca atenção à mesma, e nos anos de renovação, era feita sumariamente, sempre elegendo os que já pertenciam a ela, muitos até renunciavam, como foi o caso do Vereador Porfírio Nogueira de Holanda, em 1892.
Dos 78 municípios criados em 1890, apenas 40 tinham mais de dez mil habitantes, como exigia a lei na época, embora esse critério nunca fosse levado em consideração, o Governador Pinto Acioli resolveu extinguir alguns deles, baixado assim o Decreto n o. 550 de 25/08/1899, que anexou o município de Guaramiranga, juntamente com os de Mulungu, Pacoti e Coité (hoje Aratuba) ao de Baturité. Guaramiranga perde a condição de Vila e passa a ser simples povoado e também a denominar-se Conceição, seu antigo nome.
Conceição não nascera para a política: seu clima, sua paisagem verde, era recanto para os que procuravam a paz e a harmonia. Alguns exaltados chegavam ao exagero como Milton Dias: “O céu de Nosso Senhor é no modelo da Serra – paz, tudo verde, clima brando, água solta nas pedras, canto de pássaros, flores para todas as partes e de todas as variedares de cores, principalmente a papoula e a rosa”. (16)
Vida alegre despreocupada e gostosa. Rodas de conversa animada na farmácia do Francisco Caracas, onde ouvia com respeito a palavra do Padre Frota; no armarinho do italiano César Barsi, onde o Marinho e o velho Trifom discutiam sobre cavalos de sela; na venda do Zeca Alves ou na loja do Quincas seu irmão ; faziam agradáveis reuniões no sítio do Cel Chichiu, com os irmãos Queiroz – Daniel, Euzébio e Pedro. Arranjavam bailes no vasto sobradão do Dada e organizavam quermesse, em que o Antônio de Figueredo proclamava o leiloeiro (17).
Nesta época os rapazes em férias e as moças casadoras promoviam festinhas com músicas de piano, e havia cavalos e charretes de aluguel, que em bandos percorriam sítios.
Por volta de 1908, animado pelo Quincas Marcos, Gustavo Barroso redigia o 1o. jornal de Conceição, que era chamado de “O Beija Flor”.
Em 07 de janeiro de 1909, foi realizada uma grande festa em comemoração a chegado do Padre Manoel da Silva Porto, nomeado Vigário da Paróquia de Conceição. Luzido esquadrão de cavaleiros recebeu o sacerdote na ladeira da Boa Água. A banda de música de Mulungu, com uniformes novos, tocou marchas alegres pelas ruas enfeitadas de bandeirolas de papel, à noite, grande banquete no salão nobre no sobradão do Dada.
Em 16/02/1910, houve a festa de inauguração do posto de telégrafos do povoado. Houve críticas na época aos políticos locais que atribuíram o mérito da obra ao Governador Acioli, dizendo que a obra só fora possível graças aos recursos liberados pelo Ministério de Obras e Viações. Na verdade a obra se deveu à Câmara de Baturité, quando seu Presidente, Francisco Alves Linhares, liberou verba destinada ao povoado, tornando possível a obra. Elesbão Veloso, chefe do Distrito local, também teve participação decisiva. O Correio e o Telegrafo eram separados. Os estafetas levavam a correspondência de Pacoti a Guaramiranga em sacos lacrados e entregavam no trem de Baturité para serem levados para Fortaleza. Teve um telegrafista do Sul-América, Euclides de Lima, e depois durante muitos anos, Patrício Ribeiro e Quincas Nogueira.
Mesmo não sendo município, Conceição tinha fabuloso prestígio eleitoral. Francisco Alves Linhares foi muitos anos cadeira cativa na Câmara de Baturité, além de Deputado por várias legislaturas, e, em 1920, José Pacífico Caracas foi eleito Prefeito de Baturité. Todo este prestígio eleitoral fez com que Justiniano de Serpa, então Governador do Estado, restaurasse novamente.
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